A brigadiana simpática – cotidiano surreal
Hoje participei de um diálogo surreal com uma brigadiana, qd fui parado numa barreira na entrada de Viamão, cidade que fica à uns 10 km daqui de casa.
A cena foi a seguinte, eu precisava levar uns jornais e cobrar uma cliente que tem um restaurante ali na Velha Capital, como era uma visita informal e a cliente também é bem informal não achei que tivesse importância usar a camiseta retrô, reprodução do uniforme da década de 70 do Grêmio,esta informação é mais importante do que tu podes imaginar pra melhor compreensão da história, pois bem, lá ia eu ouvindo a deliciosa risada da portuguesa num dos muitos nerdcasts que tenho baixado quando saí da RS 040 e fiz o balão pra entrar na rua que leva pro centro de Viamão, logo na entrada da cidade é comum ter uma barreira policial, BATATA, entrei na rua e tinha um pé de porco no meio da pista balançando o braço direito pra cima e pra baixo e apontando o acostamento com o esquerdo, neste momento sofri uma descarga de adrenalina que esquentou os joelhos e deu um calor na base da espinha, esta reação vem acompanhada de um ondular nas vistas e uma espécie de flutuação na testa, interpreto isto como instinto de sobrevivência paranóide e experiência em atraques, outros chamariam de medo mas seria generalizar demais ater-se simplesmente ao medo.
Pois bem, enquanto eu reduzia e encostava minha cabeça disparou e fez um check list à jato:
- documentos na carteira OK
-carteira no bolso traseiro direito OK
- olhos límpidos OK
- odor interno do veículo OK
- aparência aceitável OK
- não gaguejar VEREMOS
- não tremer NÃO DÁ
daí parei.
Eis que vem de trás do meu carro uma sorridente, simpática e bonitinha brigadiana e eu controlando ela pelo espelho e tirando o cinto enquanto pegava a carteira, note-se que o indivíduo é nervoso, hiperativo e atrapalhado, pois bem, desliguei o carro, dei pause no CD e aguardei a abordagem, foi aí que seguiu-se este diálogo absurdo:
-Uóóóii, boooom diiia
-B- b- bom dia
- Vamos ver se estes documentos estão mesmo em dia, rsrsrs
- m-m-momentinho – tirei a carteira do bolso, tirei de dentro da carteira a habilitação e os documentos do gol e entreguei pra brigadiana simpática e que falava cantando e sorrindo ao mesmo tempo enquanto ela foi lá pra trás do carro checar a documentação e a placa do gol, nesta altura dos acontecimentos eu já tinha passado do medo paranóide pra surpresa, tinha andado por perto da incredulidade e tava quase relaxando, foi quando ela voltou e estendeu os documentos pra mim dizendo:
- está tudo ok seu éverton, muito obrigado
eu já ia agradecer de volta e ligar o carro pra sair qd ela estendeu a mão pra dentro do carro e tocou no meu ombro dizendo:
-MAS COM ESTA CAMISETA NÃO TEM CONDIÇÕES NÉ?!
eu não sabia se fugia, se tinha um ataque de riso ou se perguntava pra ela se ela estava doidona e onde ela tinha arranjado, mas consegui dizer desta vez quase sorrindo e tentando ser tão simpático quanto ela:
- po, mas tu não vais me prender por isto né?!
-não não, mas é brabo, rsrsrs, obrigado e bom dia pro sr.
-Bom dia também e bom trabalho pra ti e pros teus colegas, tchau
-Tchaaaau
Fiquei com uma sensação de incredulidade e de alegria por alguns minutos e saí de lá pensando em como tinha sido divertido e surpreendente o atraque em Viamão.
Fiz o que tinha pra fazer e voltei pra casa ouvindo o fim do nerdcast.








