A Morte do Anão do Caralho Grande.

Tom – O MENINO SEM BORDÃO

É assim ó, o ócio me deixa inquieto, pensei em porque não me aventurar numa COL-aboração mais extensa? Então taí. Depois desta homenagem ao Plínio marcos tem ainda um poeminha que escrevi nos idos de 80-e-poucos que encontrei dia desses.

Abraços pimpolhos, não fumem boleta, nem tomem maconha, boleta é de tomar e maconha é que se fuma, se não souber como fazer tem uns caras ali na rua da praia que vendem uns cachimbinhos que chamam de marica, é mais fácil e não queima os dedos.

A Morte do Autor de Teatro do Caralho Grande!

Subo e desço barrancos cheios de lixo, quando eu começo a ficar em dúvida quanto ao que estou fazendo ali chego ao topo de um morro de onde consigo ver uma praia. A vista é bonita, um tanto sombria. A praia tem um fundo de pedra e o nível do mar está muito baixo. Por conta disso tem muitos navios encalhados.

Me aproximo de uma casa onde quem me recebe é o Plínio Marcos a quem eu agradeço de forma muito educada por me receber para uma entrevista, ele me responde que não há o que agradecer, já que o jornal para o qual trabalhamos está pagando por nossa estadia. A casa é grande e sei que a própria esposa do Plínio está preparando o jantar  e as nossas acomodações, o que me deixa entre o constrangido e o a vontade.

Nos sentamos, Plínio, eu e alguns amigos dele (aqueles tipos intelectualizados, todos com mais de 40, meio gordos, sem a menor preocupação no vestir, usando chinelos de dedo), em cadeiras de praia olhando para o mar. Comentamos como o nível do mar está baixo, o que nos permite ver dezenas de navios encalhados e enferrujados. Era muito impressionante o pedaço do fundo do mar que podíamos ver, era de pedra, dava a impressão de ser pedra porosa de uma cor areia esverdeada. Aponto para um navio cheio de pedras e comento como os donos desse haviam sido espertos, pois apesar de encalhado ele poderia virar e estragar com as ondas, assim quando o mar voltasse ao seu nível normal era só tirar as pedras, fazendo o navio flutuar novamente.

Faço então a entrevista, com perguntas muito inteligentes, o que me deixa muito orgulhoso. Em seguida somos interrompidos por um barulho causado por uma máquina imensa e de forma futurista que vem pela beira da praia, literalmente limando o chão de pedras. A máquina tem três discos como de uma serra circular que são usados para “comer” as pedras. Faço uma grande pantomima com gestos teatrais e gritaria debochando da máquina, chamando de Mad Max do Governo. Termino fazendo reverências para a máquina o que causa risos e aplausos entre os intelectuais e o Plínio, que dá gargalhadas segurando aquele seu cetro com uma cruz. O motorista do monstro sai e nos explica como a máquina funciona (pena que não me lembro das perguntas que fiz ao Plínio).

Esta foi minha segunda experiência com Plínio Marcos, em 1996 na 42ª Feira do Livro de Porto Alegre, ele tinha vindo com a sua mulher pra dar umas palestras e autografar os seus “livrinhos” como gostava de chamar, livros de edição independente, que pretendia vender numa, “mesinha dessas de classe escolar”como nos pediu quando entrou na banca de autógrafos, eu era o responsável pela produção da barraca junto com a Jaqueline Couto, esta sim produtora de verdade eu tava lá só pelo dinheiro e pela peruagem. Lá fui eu buscar a mesinha antevendo o rolo que daria, pois o pessoal da Câmara Rio-Grandense do livro havia nos especificado que na barraca de autógrafos não se vendia nada! Claro que ele já sabia, havia falado na sua palestra que não confiava em editora e que elas não gostavam dele, sei que venho voltando com a tal da mesinha encontro a Jaque no meio do caminho entre o divertida e apavorada, “Tom, o Plínio Marcos ta botando a boca no pessoal, em todomundo, não tão querendo deixar ele vender os livros, ele ta puto, chamando a organização de autoritária só porque ele não vendeu a alma pruma editora etc, me desabalei pra ver, quando cheguei lá já tava tudo calmo, a esposa dele já tinha começado a vender os livros na porta da barraca, a mulher da Câmara já havia desaparecido, ele e a mulher tomaram um café atrás do outro, que eu buscava com o maior prazer, ela fumou uma carteira inteira de Hollywood, muito simpática conversando conosco que estávamos ali de prolétas, sendo simpático com os fãs, chatos, interessados e fazendo o maior olho branco pra gentalha da alta roda. Adorei. Adorei um cetro de cano preto que ele usava com uma cruz na ponta, adorei os chinelos de dedo, adorei ele botando a boca na organização da feira dizendo que só quem tinha tratado ele bem eram os funcionários do escalão mais baixo, eu e a Jaque. Adorei.

Depois vim a conhecer a ótima Caros Amigos da Editora Casa Amarela onde Plínio escreveu, contou histórias falou que era Tarólogo abriu a boca quando uma ilustre paulistana não conseguiu dizer: “E o premiado é: O Assassinato do Anão de Caralho Grande” numa solenidade. Livro que ele prometia na sessão de autógrafos no saguão do Teatro Sérgio Cardoso, mesmo lugar do velório com bandeira do Jabaquara F.C. sobre o caixão e coroa de flores dos “Amigos do Lovely Bar” que fica no Bexiga ocupando um espaço melhor do que a coroa de prefeitos políticos e “otoridades”que em outra épocas proibiam suas montagens,  que ardam no inferno de óleo fervente.

Plínio Marcos era uma figura única, teatral, daqueles que confunde sua vida e obra, validando uma com a postura da outra.

Pelo que sei estavam para publicar suas obras completas, talvez como repercussão do Navalha na Carne com a Vera Fisher, filme ruim, metido… mas a história excelente, agora com a morte saem os livros com certeza, eu preferia ele vivo, indo no Roda Viva da TVE de camiseta rosa bebê com a gola esgaçada e rasgada coçando o meio dos dedos dos pés mas dizendo barbaridades maravilhosas, ficamos no aguarde. Estou triste, o tamanho médio do nosso pau diminui com a morte do teatrólogo de caralho grande. A impermanência as vezes me é muito impertinente.

Ó O POEMA, SE CHAMA

Mandela’S Põem!!!

Viva Mandela

Que né nada branquela

Liberdade pros negro

De falar não tenho medo

Viva Nelson Mandela

Quené nada branquela

Vivas também aos bichos

Com pelo, pata e rabicho

Viva Nelson Mandela

Que não é de meia tijela

Viva ainda todas as raças

A preta a branca e a amarela

O poema deve ser de 1986 mais ou menos.

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Tom

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  1. 1

    Lindo esse texto! Jornalismo gonzo ducaralho, Tom. Meus parabéns!

  2. Tom #
    2

    HAHAHAHHAH, vc é suspeita. só me ilude.



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