A vida dos Outros

Mesmo tendo perdido o emprego há muito tempo saia de casa todos os dias com seu head-phone e ficava dançando soul-music no parapeito das pontes.
Saia de casa porque não queria que sua mulher notasse que agora era um desocupado.
Ana achava que uma das fraquezas do homem é não ter objetivos na vida, ele dançava no parapeito das pontes achando que levava alegria aos corações dos outros. Sua Mulher era uma mulher toda rija, baixinha e muito magra, era quase bonita, não fosse pela hirteza de sua expressão um pouco dura demais para uma mulher tão pequena, as sobrancelhas grossas e sempre semi cerradas no rosto ovalado mais fino embaixo, começava com os cabelos lisos castanho escuros e muito finos que iam até as orelhas, tinha olhos também castanhos e arredondados.
Ana resolveu abandoná-lo quando o viu dançando numa passarela, Sexual Healing, do Marvin Gaye era o que ele dançava. Não pensava nela naquela hora, ela parou um tempo lhe olhando, ele percebeu e ficou com vergonha, se olharam, ela não se preocupou em limpar uma lágrima e foi embora com passinhos curtos e rápidos, os cabelos balançavam para o lado oposto dos quadris de nádegas apertadas enquanto sumia. Acreditava estar levando alegria aos corações dançando assim, no entanto a maioria não se permitia alegrar, vomitava nele deboche, outros apenas odiavam sem entender.
Um dia ficou triste porque as rádios não tocavam mais soul music. Ia pular da passarela em frente à rodoviária, a mesma onde tinha visto Ana pela última vez, cabeça estraçalhada no pára-brisa do intermunicipal. O head-phone estatelou no asfalto antes dele, que ficou olhando a queda lá do parapeito estreito, lhe pareceu muito sem sentido pular lá de cima, achou inútil dar fim a sua vida, a pior forma de terminar uma história é antecipar o fim matando o personagem. Vivo, se tem mais chances de que algo aconteça, pensou. Seus ouvidos estavam se enchendo de música, o rádio estatelado se reduzia a pedaços cada vez menores sempre que algum carro passava por cima dos cacos e ele se sentiu feliz por não estar lá embaixo. Dançou mais uma vez no parapeito, mostrou seus melhores passos, seus movimentos mais sensuais suingando com a cintura prum lado e o tronco pro outro. No final daquela tarde notou que um casal que vinha caminhando parou para lhe olhar, ele seguiu dançando, controlando com o canto do olho, eles deram as mãos cruzaram o olhar e se beijaram abraçados, pareceram dançar um pouco também. Deu-lhe saudade da Ana, lembrou da época em que namoravam, lembrou da festa de casamento, das noites em que não liam, não ouviam música, não faziam nada além de se abraçar e foder com cobertores por cima quando estava frio ou embaixo do chuveiro frio no verão quente e úmido.
Aquele casal o havia visto! Tinha tocado duas pessoas, transformado o dia delas, a atenção que os dois dedicaram para ele, o beijo que trocaram também tiveram seus efeitos, eles também dançaram para ele, desceu do parapeito e caminhou pela passarela, pelo meio das pessoas, no centro da cidade, seguiu caminhando até a casa onde um dia morou com Ana.
A casa continuava lá, as luzes estavam acesas, Ana estava na sala, lendo perto da janela, ele não tocou na campainha, ficou apenas parado no portão, olhando para Ana que bebia um chá, lia e comia um chocolate aos pouquinhos. As vezes coçava a orelha, as vezes soltava o livro para esfregar as duas mãos, uma contra a outra rapidinho, como quem quer esquentar as palmas, daí comia um quadradinho do chocolate e depois tomava outro gole de chá. Ana costumava fazer isto com as mãos quando estava com frio ou quando se excitava com alguma coisa. Ele ficou por muito tempo lá olhando e as vezes secando alguma lágrima que escorria enquanto esperava que algo acontecesse.
Eles nunca tinham conversado sobre o final da sua vida juntos, ela nunca lhe falou o que sofria vendo seu amor se afastar e se fechar numa fantasia de dar amor aos quatro ventos sem olhar para si e para ela que tanto precisava de carinho, sua companheira, seu amor abandonado por uma ilusão de um amor universal. Ele nunca tinha entendido também que era concentrando nela que ele conseguiria espalhar para o mundo o que desejava. Agora isto era muito claro.
Ficou ali no portão até que ela o visse, se olharam um tempo pelo vidro, ela compreendeu do que se tratava, abriu a porta e caminhou até a varanda, demonstrando que ele deveria entrar e que era bem vindo. De dentro da casa vinha uma música de Marvin Gaye, ela lhe estendeu a mão tirando-o para dançar, ela conduziu os passos, ele se deixou sentir feliz, do outro lado da rua um casal parara de discutir para vê-los dançando, dançavam uma dança nova, dançaram ainda por muito tempo, as vezes resgatando algum passo antigo, as vezes deixando de fazer alguns que não haviam funcionado e ah! que felicidade ficavam quando inventavam algum passo novo. E isso sempre passava como uma benção para os que tinham a sorte de assistir.

23

07 2010

Satisfação

É difícil de lembrar da ordem de alguns acontecimentos.
Ela gritou e ele atirou? A batida seca e depois a travada? Ou teria sido ao contrário?
Era difícil pra ele saber se havia pensado algo e por isto tal coisa estava acontecendo novamente ou se sempre que isto acontecia liberava o processo torrencial de pensamentos aparentemente desconexos, mas totalmente encadeados que agora ejaculavam de fora pra dentro da cabeça dele.
Expectativa e temor –Os pensamentos têm um barulho estranho, em várias camadas de sonoridade. Tente imaginar o barulho que tem os fenômenos e as coisas que existem. O barulho de uma rocha, ali, só existindo. O barulho daquela parte que fica bem no meio das coisas, o cerne de uma montanha, o barulho dos uns e zeros.
Aquele barulhão que fazem os estetoscópios, o repercussor de um estetoscópio prensado entre a parte interna do cotovelo e o estignamômetro, o estrondo do sangue ali passando. Sangue surdo e estrondoso.
É assim que a expectativa soa enquanto ele sua.
Em pequenas províncias, costuma acontecer de artistas não terem seu trabalho devidamente reconhecido pelos conterrâneos que apenas o reconhecem como pessoa física. Justamente por isso.
Guitarristas virtuose, não passam de pudlles amestrados. Imagino que a cabeça lhes doa enquanto tentam desesperadamente encaixar suas circenses evoluções de notas, música tem que ter mulher cantando deprimida ou emocionada e homem cantando brabo tem que ter refrão pode até ter solo, mas a gente não pode notar.
A professora do pré primário, a maldita tia da escolinha uma vez o repreendeu porque ele demorou muito pra lavar o rosto, cadela intrometida.
Porque os infelizes dos cobradores de ônibus fazem aquela cara e empurram a roleta enquanto a gente está passando? Se eu fosse taxista perguntaria se a pessoa quer ouvir a estação de rádio que eu estou ouvindo ao invés de aumentar o volume depois de saber do itinerário. Porque em alguns ônibus tem um balde de água com uma esponja dentro?
Até aqui é o que passa na cabeça dele a partir do exato momento em que ela começa e termina de lhe dizer o preço, menos de um segundo.
Estes pensamentos não são sempre nesta ordem, nem desta forma linear, eles explodem em forma de golfada, é como uma orquestra completa, cada um dos instrumentos com seu timbre perfeitamente audível e distinto, todos tocando juntos, sem partitura, sem harmonia, sem nada além do vibrar, soprar e bater quase erótico dos pensamentos.
Ele tira a carteira do bolso, as mãos tremem um pouco, um movimento da mandíbula pode ser notado, como se algo fosse repuxado atrás das orelhas e uma gota começa a escorrer da testa já meio reluzente de suor gordurento e nervoso de pura expectativa pelo prazer final.
Ele não tem, com clareza, os sentidos despertos enquanto conta o dinheiro para pagar a moça, grandes olhos, os cabelos bem cuidados, os cílios aumentados pela maquiagem, um sorriso fácil e aquele sorriso de falsa intimidade e carinho comprado. Ainda bem que ganha dinheiro suficiente para pagar por estas coisas.
Entrega o dinheiro com o resto do mundo inteiro desfocado, já nem lhe interessa mais manter a pose ou a cara de pessoa normal, o queixo cai um pouco entreabrindo os lábios e colocando a mostra a língua que agora exposta faria qualquer um pensar que não cabe naquela boca, o brilho da saliva quase pingando transforma o conjunto de dois lábios, os dentes e a língua num espetáculo meio patético, coroado pelos olhos estalados, fixos e secos, literalmente comendo aquele momento.
Ao soltar as notas enquanto a moça as pega, conta e põe na gaveta ele quase desmaia, estende a mão para pegar a sacola enquanto ela diz o que ele está ali para ouvir:
- o senhor encontrou tudo o que queria?
-Sss-ii- sziimm – é o que ele consegue dizer enquanto os olhos reviram, um suave tremor lhe percorre a espinha e ele sente a mancha quente e úmida se espalhar pelas coxas.
Enquanto ela assina com chave de ouro em um grand finale para ele:
- obrigado por escolher nossa loja senhor, tenha uma boa noite. E mudando a expressão já com o olhar na pessoa atrás dele que acaba de se materializar juntamente com o resto do mundo
- boa noite, pode passar aqui senhora…
Mesmo usando calças folgadas e escuras as vezes dá pra notar a mancha quando ele deixa uma loja de departamentos, feliz, satisfeito, com uma sacola grande cheia de roupas numa mão enquanto a outra apalpa o bolso do casaco surrado em busca de um cigarro.

23

07 2010

Use filtro solar.

E tenha seu próprio judeu.

:~~

Entenda que seus amigos vem e vão, mas que há um punhado deles, preciosos, que você tem que guardar com carinho.

Beijo e obrigado à todos os envolvidos.

17

07 2010

Em Casa

As sensações estavam aqui de novo, como se estivesse acordando, como se o telefone tivesse tocado no meio do sono. O telefone não pode ser, foi o que lhe disse uma primeira sinapse. Há mais de dez anos havia parado de atender ao telefone, há uns cinco ele já não tocava, nunca teve nem a curiosidade de levantar o fone do gancho e encostar o ouvido no auricular para ver se fazia tuuuuuuuuuuuuuu, ou tu… tu… tu… tu… Não havia se imposto um isolamento. Foi natural. No início apenas reparou que comia cada vez menos do sanduíche de ovo com maionese que levava para o almoço. Sobrava cada vez um pedaço maior para colocar na lixeira e isso o deprimia um pouco. Chegava em  casa e sentava na frente da televisão e ali ficava até a manhã seguinte, sem ver nem ouvir nada.

Pela manhã era dolorido para os joelhos se desdobrarem e carregar o seu corpo, para onde as obrigações o mandavam. No final, são os joelhos que carregam o corpo. Ia até a cozinha e fazia um sanduíche de ovo com maionese. Dobrava e desdobrava os joelhos, colocando um pé na frente do outro até a fábrica. Ou seria loja? Ou repartição? Não faz diferença o lugar onde ele trabalhava. Numa manhã não tinha ovo, noutra havia acabado o pão. Foi melhor, não precisou mais carregar a marmita. Teve um outro dia em que apareceu um vulto no seu cubículo, ele deve ter falado alguma coisa, ficou um tempo na sua frente mexendo a boca e baixando os olhos e subindo os olhos e virando para a direita e virando para a esquerda, fugindo do seu olhar. Que se fodesse, pensou, não tinha nem coragem para lhe demitir olhando nos olhos, pelo menos parecia estar lhe demitindo. Não se importou muito, levantou e foi pra casa sentar na frente da televisão sem se importar se havia ligado ou não, nem tomou o cuidado de deixar o controle remoto por perto, sentou e assistiu as unhas crescerem. A luz da sala apagou sozinha um dia, nunca mais acendeu. Foi melhor, podia perceber os dias indo e vindo no vaivém de luz e sombras que transluzia pela janela como se fosse o ponteiro de segundos do relógio que não tinha. Isso também terminou. Uma franja cresceu sobre seus olhos até tudo ficar escuro, a barba e o cabelo tomaram conta de tal forma que pareceria uma cadeia de montanhas ambulante, isto caso ambulasse para algum lugar. Como não iria, não ambulava. Pareceu montanha por pouco tempo, ou muito, impossível de avaliar, uma época os cabelos começaram a cair, aos poucos a luz voltava aos seus olhos, e ele os mantinha fixos na janela, não estava contando o tempo, nem reparava na sua imagem refletida no canto da vidraça encardida. Se o fizesse, poderia se ver praticamente fundido com a poltrona. As suas roupas, que já eram velhas quando ainda era jovem, agora não passavam de farrapos, tiras soltas num corpo largado, unhas de enormes espirais esverdeadas com lindas texturas de couve-flor escorriam soltas na poltrona. Não reparava também nos insetos, ratos e outros pequenos seres, havia se tornado uma colônia careca de fungos que se alimentavam dele, se alimentavam nele, dos seus dejetos e deviam terminar o alimentando, alimentavam a sua existência. Era bom. O nome disso é mutualismo, ou simbiose, é sempre bom para todos os envolvidos. Na janela, a cada segundo, amanhecia e vinha a tarde, anoitecia e depois acontecia tudo de novo. O sol ficava mais oblíquo, mais a pino, as vezes relâmpagos trovejavam raios. Não importa. Agora chegamos ao início, algo o despertou, lembram?

Um buldozer amarelo passou pela janela, ouviu vozes de homens lá fora, como há muito tempo não ocorria pensar em coisa alguma não entendeu nada, mas nunca foi burro, não demorou muito para entender que falavam de um cruzamento, uma rodovia que deveria passar por cima da sua casa. Iriam demolir a casa que lhe envolvia, iriam quebrar a sua casca e lhe expor ao mundo fétido das coisas limpas. A vida que continua lá fora se apresenta como um rolo compressor para os que se isolam.

Desta vez demorou mais para a noite chegar, ela veio escorrendo do topo da tarde e quando encostou no chão os buldozers silenciaram, os homenzinhos pararam de falar, devem ter ido, levaram as conversas bobas para algum bar enfumaçado e cheirando a cachaça ou sentaram na frente de suas televisões.

Era a sua chance.

Ele não teve força para levantar. Sentia-se fraco, comer as próprias unhas pareceu-lhe uma boa fonte de alimento, afinal, além de parecerem couve-flores e elas atrapalhariam nos processos que viriam a seguir, de se arrastar e depois cavar.

Muito bem, se pretendiam lhe descascar da casa ele nasceria dali para algum lugar escuro. Iria embora com seu sofá que lhe serviria de caramujo. Balançou-se para frente e para trás a fim de emborcar o sofá sobre si e assim se arrastar como uma lesma no sal. Agora ele não sentava mais no sofá, o sofá é que era assentado nele. Arrastou-se pela sala em direção aos fundos da casa, sabia que lá tinha a fossa, o famoso poço negro, que um dia fervilhou de vermes digerindo bosta produzida a base de sanduíches de ovo cozido e maionese, depois de tanto tempo sem uso devia estar vazio, vazio de merda. Um bom lugar para um caramujo careca com suas unhas de couve-flor roídas. Enquanto se arrastava sentia o gosto verde das unhas de fungo, misturado com sangue preto e dentes podres. Cuspiu alguns dentes esfarelados que a falta de saliva não permitiu que engolisse. Passou pela porta, no primeiro degrau seu caracol sofá pesou, emborcando o encosto sobre a cabeça, isto estatelou a sua testa no segundo degrau. Daí foi fácil rolar mais um e cair sentado novamente sobre caramujo, já no pátio dos fundos. Queria agora poder olhar num espelho para ver o cérebro passa de uva que devia estar a mostra pela trepanação casual que o sofá e o terceiro degrau haviam lhe presenteado. Balançando o corpo grudado ao sofá caramujo, virou para frente sentindo o gosto da grama molhada e afundando a cara no chão. Daí para frente foi só cavar, cavar com as mãos, com a boca, cavar jogando a terra para trás, por cima dos pés do sofá caramujo colado nas costas. Mergulhou inteiro no buraco macio e quente, vazio de merda e vermes, agora cheio com uma colônia careca de fungos com seu sofá caramujo. O sol ainda não tinha nascido.

Enterrou-se para viver em paz.

Pelo menos até que resolvessem que deveria passar um metrô por ali, viveria tranqüilo em seu buraco.

Malditos engenheiros de tráfego.

Na manhã seguinte vieram os buldôzers de novo e junto deles os homens que cacarejavam. Nécios, ele já não os ouvia. Nem ouviu o barulho dos carros que passavam por cima de sua fossa. Tomara que o terreno ali não servisse para a construção de metrôs.

16

07 2010

A Morte do Anão do Caralho Grande.

Tom – O MENINO SEM BORDÃO

É assim ó, o ócio me deixa inquieto, pensei em porque não me aventurar numa COL-aboração mais extensa? Então taí. Depois desta homenagem ao Plínio marcos tem ainda um poeminha que escrevi nos idos de 80-e-poucos que encontrei dia desses.

Abraços pimpolhos, não fumem boleta, nem tomem maconha, boleta é de tomar e maconha é que se fuma, se não souber como fazer tem uns caras ali na rua da praia que vendem uns cachimbinhos que chamam de marica, é mais fácil e não queima os dedos.

A Morte do Autor de Teatro do Caralho Grande!

Subo e desço barrancos cheios de lixo, quando eu começo a ficar em dúvida quanto ao que estou fazendo ali chego ao topo de um morro de onde consigo ver uma praia. A vista é bonita, um tanto sombria. A praia tem um fundo de pedra e o nível do mar está muito baixo. Por conta disso tem muitos navios encalhados.

Me aproximo de uma casa onde quem me recebe é o Plínio Marcos a quem eu agradeço de forma muito educada por me receber para uma entrevista, ele me responde que não há o que agradecer, já que o jornal para o qual trabalhamos está pagando por nossa estadia. A casa é grande e sei que a própria esposa do Plínio está preparando o jantar  e as nossas acomodações, o que me deixa entre o constrangido e o a vontade.

Nos sentamos, Plínio, eu e alguns amigos dele (aqueles tipos intelectualizados, todos com mais de 40, meio gordos, sem a menor preocupação no vestir, usando chinelos de dedo), em cadeiras de praia olhando para o mar. Comentamos como o nível do mar está baixo, o que nos permite ver dezenas de navios encalhados e enferrujados. Era muito impressionante o pedaço do fundo do mar que podíamos ver, era de pedra, dava a impressão de ser pedra porosa de uma cor areia esverdeada. Aponto para um navio cheio de pedras e comento como os donos desse haviam sido espertos, pois apesar de encalhado ele poderia virar e estragar com as ondas, assim quando o mar voltasse ao seu nível normal era só tirar as pedras, fazendo o navio flutuar novamente.

Faço então a entrevista, com perguntas muito inteligentes, o que me deixa muito orgulhoso. Em seguida somos interrompidos por um barulho causado por uma máquina imensa e de forma futurista que vem pela beira da praia, literalmente limando o chão de pedras. A máquina tem três discos como de uma serra circular que são usados para “comer” as pedras. Faço uma grande pantomima com gestos teatrais e gritaria debochando da máquina, chamando de Mad Max do Governo. Termino fazendo reverências para a máquina o que causa risos e aplausos entre os intelectuais e o Plínio, que dá gargalhadas segurando aquele seu cetro com uma cruz. O motorista do monstro sai e nos explica como a máquina funciona (pena que não me lembro das perguntas que fiz ao Plínio).

Esta foi minha segunda experiência com Plínio Marcos, em 1996 na 42ª Feira do Livro de Porto Alegre, ele tinha vindo com a sua mulher pra dar umas palestras e autografar os seus “livrinhos” como gostava de chamar, livros de edição independente, que pretendia vender numa, “mesinha dessas de classe escolar”como nos pediu quando entrou na banca de autógrafos, eu era o responsável pela produção da barraca junto com a Jaqueline Couto, esta sim produtora de verdade eu tava lá só pelo dinheiro e pela peruagem. Lá fui eu buscar a mesinha antevendo o rolo que daria, pois o pessoal da Câmara Rio-Grandense do livro havia nos especificado que na barraca de autógrafos não se vendia nada! Claro que ele já sabia, havia falado na sua palestra que não confiava em editora e que elas não gostavam dele, sei que venho voltando com a tal da mesinha encontro a Jaque no meio do caminho entre o divertida e apavorada, “Tom, o Plínio Marcos ta botando a boca no pessoal, em todomundo, não tão querendo deixar ele vender os livros, ele ta puto, chamando a organização de autoritária só porque ele não vendeu a alma pruma editora etc, me desabalei pra ver, quando cheguei lá já tava tudo calmo, a esposa dele já tinha começado a vender os livros na porta da barraca, a mulher da Câmara já havia desaparecido, ele e a mulher tomaram um café atrás do outro, que eu buscava com o maior prazer, ela fumou uma carteira inteira de Hollywood, muito simpática conversando conosco que estávamos ali de prolétas, sendo simpático com os fãs, chatos, interessados e fazendo o maior olho branco pra gentalha da alta roda. Adorei. Adorei um cetro de cano preto que ele usava com uma cruz na ponta, adorei os chinelos de dedo, adorei ele botando a boca na organização da feira dizendo que só quem tinha tratado ele bem eram os funcionários do escalão mais baixo, eu e a Jaque. Adorei.

Depois vim a conhecer a ótima Caros Amigos da Editora Casa Amarela onde Plínio escreveu, contou histórias falou que era Tarólogo abriu a boca quando uma ilustre paulistana não conseguiu dizer: “E o premiado é: O Assassinato do Anão de Caralho Grande” numa solenidade. Livro que ele prometia na sessão de autógrafos no saguão do Teatro Sérgio Cardoso, mesmo lugar do velório com bandeira do Jabaquara F.C. sobre o caixão e coroa de flores dos “Amigos do Lovely Bar” que fica no Bexiga ocupando um espaço melhor do que a coroa de prefeitos políticos e “otoridades”que em outra épocas proibiam suas montagens,  que ardam no inferno de óleo fervente.

Plínio Marcos era uma figura única, teatral, daqueles que confunde sua vida e obra, validando uma com a postura da outra.

Pelo que sei estavam para publicar suas obras completas, talvez como repercussão do Navalha na Carne com a Vera Fisher, filme ruim, metido… mas a história excelente, agora com a morte saem os livros com certeza, eu preferia ele vivo, indo no Roda Viva da TVE de camiseta rosa bebê com a gola esgaçada e rasgada coçando o meio dos dedos dos pés mas dizendo barbaridades maravilhosas, ficamos no aguarde. Estou triste, o tamanho médio do nosso pau diminui com a morte do teatrólogo de caralho grande. A impermanência as vezes me é muito impertinente.

Ó O POEMA, SE CHAMA

Mandela’S Põem!!!

Viva Mandela

Que né nada branquela

Liberdade pros negro

De falar não tenho medo

Viva Nelson Mandela

Quené nada branquela

Vivas também aos bichos

Com pelo, pata e rabicho

Viva Nelson Mandela

Que não é de meia tijela

Viva ainda todas as raças

A preta a branca e a amarela

O poema deve ser de 1986 mais ou menos.

Ficção

- Tu nunca fica brabo comigo né? Nunca reclama de nada.
- Pra que alguém vai perder tempo ficando brabo com algo que o outro acha ou faz de si mesmo? Perda de tempo néamm?

- …

Nunca mais se falaram.

do /her0in-chic

11

07 2010

Meu MSN é puro brilho!

Mudei o nome do meu interlocutor pra não comprometer ninguém, este tipo de conversa ou abordagem por email acontece umas duas vezes por semana pelo menos.
Mesmo que a única coisa escrita na home da Area51, além de uns links tipo ADDME, é um textinho explicando que não se trata de um site sobre discos voadores.
Sem mais, segue a conversa que tive hj pela manhã com o Henrique, ops…Visitante X. Esqueci de perguntar a idade dele. :)
================================
Visitante X diz:
Oi
Vc E da Area51?
Tom diz:
OPA
tudo bem?!
sou sim, vc catou meu msn lá?
Visitante X diz:
Tudo
sim
olha  eu  gosto mt dessas coisas
queria saber um monte de coisas
Tom diz:
que coisas cara??
Visitante X diz:
queria saber se e verdade que pousou o 1 disco voador?
Visitante X diz:
vc leu o que diz na home do site?
henrique diz:
s
Visitante X diz:
s
Tom diz:
não é um site sobre discos voadores
Visitante X diz:
aff
Tom diz:
pousou um disco voador perto de vc?

=======================================

o Visitante X ficou off line.

Porque não vou tomar a vacina da H1N1

Pessoa no msn diz: qual o teu problema com a vacina?
Tom diz:
não gosto que o governo tente introduzir coisas em mim
muito menos na forma de agulhas
acredito em conspirações da indústria farmacêutica
sei que posso evitar gripe se não engolir perdigotos alheios e lavar as mãos
Simples assim. Sou comuna dazantiga.

Faca de cozinha

As vezes coloco fotos e falo sobre facas aqui.
Esta semana terminei esta faca de cozinha que vinha mostrando a evolução aqui no Blog:

Mas o site onde falo de facas MESMO e tem mais e melhores fotos é o http://www.tom.art.br , visita lá.

Aqui o link direto pros detalhes desta faca.

02

05 2010

Sarau da Alice

Sarau no Ocidente com o tema: Alice

“SARAU DA ALICE

Na semana de estreia do filme ALICE, o SARAU ELÉTRICO se antecipa e promove o lançamento interplanetário do livro ‘Através do Espelho e o que Alice encontrou lá’, da dupla JORGE FURTADO e LIZIANE KUGLAND.
No livro, que sai no segundo semestre, Furtado e Lizi trazem os jogos de palavras e as figuras de linguagem do original em inglês para a realidade brasileira, como já haviam feito em ‘Aventuras de Alice no País das Maravilhas’. Tudo com o apoio dos tradicionais personagens LUÍS AUGUSTO FISCHER, CLÁUDIO MORENO, CLAUDIA TAJES e KATIA SUMAN. Sarau da ALICE.
Uma noite para mergulhar na história e aumentar ainda mais a bilheteria do filme do Tim Burton.
Canja especial – CUIDADO QUE MANCHA
SARAU DA ALICE – TERÇA 20.04.10
OCIDENTE”

Texto copiado daqui: http://www.saraueletrico.com.br/ext_not.php?c=128

24

04 2010