#faquismo – work in progress post 5 e retomada.

Conforme eu havia falado já no início, fazer facas à partir de limas é faquismo, reaproveitamento de material sucks pra caralho, de uma coisa velha e que já teve uma longa vida útil só pode sair uma porcaria.

Abandonei esta faca logo após temperar, o desenho estava legal, a tempera ficou ótima, mas depois de lixar ela ficou fina, não ficou com o padrão das facas que estou acostumado a fazer. Larguei, faca de lima não é o tipo de cutelaria que eu faço.

Aliás desde novembro não entro na oficina, portanto não tenho feito cutelaria nenhuma, tem ali duas facas quase prontas, uma pequena Hunter pronta esperando a bainha e a minha primeira faca de cozinha com desenho clássico, tamanho padrão e construção INTEGRAL, o que significa que é toda feita do mesmo pedaço de metal, sem guarda ou colarinho encaixado. enfim, pretendo reabrir a oficina no final de semana e terminar as duas.

Da mesma forma que estou retomando a cutelaria estou retomando o blog, algumas coisas mudaram na minha vida e algumas coisas vão mudar aqui, posts sobre cutelaria vão pro www.tom.art.br e posts sobre o meu umbigo voltarão a aparecer aqui.

A saudade de postar no blog finalmente voltou a vontade de dar um tapa no layout tb e isto aos poucos vai voltar a acontecer.

Enquanto isto, estou em chamas no twitter: @tom_area51 e disposto a responder qualquer merda no http://www.formspring.me/tomS .

é isto.

#Bjoseliga

#faquismo – work in progress post 4

Tá aí a parte que falei do trabalho manual, lâmina presa na morsa e guia de lima, aquela ferramenta retangular presa na faca, no lugar onde vou fazer um “ombro” pro lado do cabo e o “ricasso” (parte mais grossa entre o cabo e a lâmina), dá pra ver na foto lá de baixo.DSC08661

DSC08662

Trabalho com uma lima removendo material onde quero fazer estas marcas.

DSC08665Depois fiz uns furos no cabo, removi o que não ia usar e voltei pra lixadeira, com lixa de grão 180 pra ajeitar o alinhamento e retirar os riscos feitos com a lixa grossa de ontem.

No próximo post mais trabalho à mão, desta vez com lixas e prometo fotos decentes.

E viva a @Lulacolossal

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10 2009

#faquismo – work in progress post 3

Desta vez não tem muito o que explicar, primeira sessão de usinagem, trabalho feito na lixadeira com uma lixa de grão 50, o próximo passo é analisar o alinhamento, revisar o desenho e começar com a primeira parte do trabalho à mão, que será feito com limas e com um guia de lima. No próximo post incluo as ferramentas nas fotos .

DSC08660DSC08658DSC08659Stay high

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10 2009

#faquismo – faca de lima, post2

Então tá, segunda sessão de forjamento, foi mais rápido do que eu pensava.

Mudei o projeto pq gosto muito dos cabos “Coffin” e qd modelei a lâmina vi que ainda tinha material pra fazer uma faca Full-Tang com cabo coffin.

Ainda não resolvi se terá guarda ou apenas um colarinho e como vou construir isto.

Primeiro vou passar pelo desbaste inicial que vai me dizer se de fato sairá daí uma faca ou vai virar apenas algumas horas de treino e aço desperdiçado.

martelei por menos de 1/2 hora  e cheguei bem próximo do desenho que queria.

Imag013

Nesta foto uma das “normalizações” um processo que repito por 3 vezes pra “desestressar” o aço das marteladas e das várias aquecidas que dei nele durante o forjamento, a normalizção e recozimento “realinham” o aço. Aqueço de forma uniforme até o ponto em que um imâ não seja mais atraído pelo metal , deixo esfriar e repito isto por 3 vezes.Imag015

Na quarta vez enrolo ela numa manta refratária e deixo lá até que esfrie. Isto leva algumas horas. Este processo além de realinhar a estrutura do metal garante que o aço fique mais maleável porque à partir de agora vou trabalhar lixando e limando.

Aprimeira etapa na lixadeira, depois “acabo na mão”, com limas e lixas e se o aço estiver temperado(endurecido) isto se torna uma tarefa muito mais ingrata.

Imag018Imag019aqui os desenhos e o resultado, alguns posts pra trás tem o início desta faca.

That´s all folks.

Depois de iniciado o desbaste faço mais e melhores fotos. Elisa saiu com a câmera e estas  são do meu telefone de pobre.

:)

bjseliga.

stay happy

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10 2009

Da série “tudo que eu faço me machuca”

Ontem voltei a treinar kendo:

Imag011

DSC08629Ainda não estou usando armadura, acho que levo 1 mês pelo menos pra recuperar o fôlego pra LUTAR de verdade, o esfolado no dedo é do cabo do Shinai (espada de bambu que se usa no treino).

Tá ótimo, agora arrebendo a mão direita na oficina e a esquerda no kendo. :D

TUDO QUE EU FAÇO ME MACHUCA.

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10 2009

Faquismo

Facas feitas à partir de uma lima velha são bem comuns, guardam uma  mística própria e resultam em ótimas lâminas. Até onde eu sei, pra as limas Nicholson feitas no Brasil usa-se aço 1095, um aço com bom teor de carbono e que reage muito bem ao forjamento e ao tratamento térmico.

Eu nunca tinha feito uma destas mas tinha ganhado uma lima e resolvi descer o martelo nela.

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Primeiro passo, destemperei a lima e desbastei na lixadeira o que ainda se via dos “dentes” da lima original.

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Esta foto é pra mostrar a procedência da lima e como eu sou legal, artístico e sei usar os filtros do photoshop.

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A lima destemperada, pré desbastada e pronta pra forja.

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O desenho da lâmina que projetei fazer com ela.

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Já falei pra vocês que eu tenho uma bigorna?

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Fim da primeira sessão de forjamento, levei uns 40 minutos pra chegar nisto, a lâmina ficou um pouco maior do que o desenho original, com esta “folga” posso quebrar a ponta depois dos tratamentos térmicos pra conferir a qualidade.

Do primeiro terço da lâmina pra frente ainda precisarei  forjar novamente, baixando a ponta e afinando o meio que ainda está mais grosso, isto vai me deixar com uma lâmina de uns 3.5 cm de altura em quase toda a sua extensão.

Estou reavaliando o desenho da guarda e mesmo do cabo, pq como dá pra ver ainda sobrou bastante material ali, inclusive para fazer um cabo full-tang em forma de caixão, onde será possivel ver o metal entre duas talas de madeira ou algum chifre, o projeto original era forjar uma espiga fina e fazer um furo, num chifre ou num bloco de madeira e encaixar tudo, isto dá uma faca mais resistente à corrosão, mas uma full-tang demosntra mais habilidade de forjamento e dá mais resistência mecânica à lâmina, além de aproveitar totalmente o material que disponho, sem precisar de grandes desbastes do material.

Enfim, vou reavaliar o desenho e volto pra oficina pra mais uma sessão de 1h mais ou menos de forjamento.

Segue.

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10 2009

A Dora

dora

Depois visitei a Dora, filha da Tina, a cadela manca.

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10 2009

arte

barba

Ontem visitei o Bermudão, ele coleciona navalhas e coisas envolvidas no barbear com maestria e galhardia.

Alguns destes produtos tem escrito no seu rótulo, “cuidado, não fume enquanto manuseia este produto”.

Já era, pouca gente se barbeia com navalha e se duvidar toca a porra de um alarme quando o indivíduo acente um cigarro no banheiro.

O “dominica Bay Rum” é de fato de rum e tem um cheiro muito próximo do underberg, certo que dá pra tomar.

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10 2009

A coisa anda assim

Onde foi mesmo que eu parei? Nem Lembro.

Tava perdido na área51, lugar estranho, cheio de pratileiras, armários, corredores, sotãos e porões. A gente se perde fácil, um lugar destes é um mundo em si.

Depois tropecei e turbilhei por orçamentos, mirabotrampos, desencontros, trabalhos de escravo hercúleo e mal entendidos emocionais familiares e da existência no âmbito social - dependendo da intenção no compreender o bagulho pode ser MAU  entendido também.

Bom, daí teve a obra do escritório o twitter, o trabalho apertou e vai chegar a feira de cutelaria.

Lógico que antes, agora no meio e depois tiveram, estão tendo *  e terão momentos de alegria, puro amor e total fruição.

As usual.

Mas ninguém quer saber da história feliz e conformada de um mangolão de quase 40, melhor bancar o escrotinho pra que pelo menos, enquanto vou a ida  seja divertida.

Caos, paranóia,correria e prostração?

Nah.

Contemplação e atenção.

Bem vinda ao meu mundo baby.

Se ofendeu com as boas vindas no feminino? qué pena con usted. To mesmo com as posições de boyfriend ocupadas, espera alguém morrer ou desencana.

*Censurado pelo comitê #antigerundistadocaralho

\o/ Viva a @lulacolossal\o/

O caroço da azeitona

No meio dos anos 80 o gorducho Tom andava pela Otávio Rocha, centro de Porto Alegre, esbaforido à passos curtos e rápidos, tentando acompanhar o ritmo desabalado da caminhada do Rodrigo, devia ser outono ou primavera, mesmo que não fosse, passeios com o Rodrigo são armazenados em finais de tarde destas duas estações.

Vamos tomar um cafezinho na Haiti.

Não conheço a Haiti.

Sério?

Arrã… Devo me sentir culpado por isto? Desculpas. (Sempre me senti culpado.)

Não, tudo bem, sempre é tempo, vamos ali, é quase na esquina da Dr. Flores, um dos melhores e mais tradicionais cafés da cidade.

Rodrigo sempre sabe onde e quais são os melhores e mais tradicionais e mais legais.

Me apresentou, além do café da Haiti, Jack Kerouak, o disco da Carla Blay Band com Freddie Hubbard, Moebius, Jim Jarmush…enfim, um tipo de amigo e professor de arte.

Tomamos o café de pé, no balcão, naquela época se podia fumar nos lugares, o balcão de inox tinha uns cinzeirinhos fixados por dobradiças na borda, tinha que ir no caixa, pegar uma ficha pro cafezinho e depois ficar no balcão, tamborilando a fichinha até que uma atendente na corrida te tirava a ficha das mãos e colocava na tua frente um cafezinho numa xícara escaldada.

Tudo isto, menos os cinzeiros, ainda existe e funciona do mesmo jeito.

No início dos 90 fui estudar no centro, num colégio de segundo grau onde ninguém rodava, era isto o que eu precisava na época.

Foi aí que descobri a parte de dentro da Haiti e depois de provar um por um dos lanches, sanduíches e doces elegi a empada como minha favorita.

Entrava direto pro lado direito da lancheria, que fica perto do balcão aquecido onde moram os salgados e dá pra ver a cozinha onde  preparam comidas e bebidas que são entregues por uma janela pra balconista que traz teu lanche.

Se a bebida for refri, ela é pegada de geladeiras que tem em toda a extensão do balcão que serpenteia a grande sala da lancheria.

Daí pra frente meu pedido lá passou a ser: “uma taça de café preto e uma empada por favor”

A empada é O SEGUINTE: massa folhada crocante, muito fina, tremendamente gordurosa mas sem ser agressiva e com um recheio meio avermelhado com frango desfiado e duas coisas que fazem, ou faziam desta empada especial, um pedaço de ovo cozido, na minha análise 1/8 de um ovo partido longitudinalmente e uma azeitona inteira COM CAROÇO.

A empada vem quente num pratinho de inox, com duas folhas de guardanapo de papel que já chegam lustrosas na tua frente, as duas primeiras mordidas podem queimar a boca e são basicamente de crocância e massismo, depois disto o recheio quente e pegajoso na medida certa toma conta da boca.

A mordida em que vem um pedaço do ovo é sublime, o ovo foi cozido, partido e colocado dentro da empada que foi assada, isto dá uma textura mais resistente à superfície do ovo que já estava prontoe foi novamente cozido, desta vez dentro da empada.

Neste momento é hora de começar a tomar cuidado, porque a azeitona pode aparecer à qualquer momento, também quente, escondida entre o ovo e o molho, prometendo uma explosão de suco salgado e oleosidade verde, finalizada pela experiência do caroço que pode pegar os incautos de surpresa e até quebrar um dente.

Nas primeiras vezes que comi terminava mordendo a azeitona e tomando um tranco com o caroço, mas isto nunca me fez desistir da empada.

Voltava lá e pedia sempre a mesma coisa, cheguei a ver gente comendo sanduiches de salame italiano, coxinhas de galinha, canjas e cremes, doces, enfim, tudo era ótimo, mas eu tinha um encontro com a folheosidade, o ovo e a azeitona.

Esta semana me peguei de bobeira centro e fui comer uma empada na Haiti,  passei na roleta que divide o balcão do cafezinho em pé e a lancheria, entrei no salão serpenteado pelo outro balcão, este com bancos por fora e geladeiras por dentro, escolhi um banco vazio no lado da direita de quem entra e a atendente chegou.

Uma empada e uma taça de café preto por favor.

Vejo ela se afastar, pedir o café na cozinha, pegar o pratinho de inox, passar na estufa onde moram os salgados, pegar uma empada, passar no balcão da cozinha, pegar a xícara de café na outra mão e vir até o meu lugar, na direita do salão.

Tudo certo até aqui. Ela deposita o lanche na minha frente.

Açúcar ou adoçante?

Nada, obrigado.

Tudo conforme o esperado enquanto observo os dois guardanapos já transparentes da gordura que impiedosamente sugam da empada, guardanapos malditos, esta gordura é minha, retiro os guardanapos e ponho do lado, perto da xícara.

Lanches se come com as mãos, sujando os dedos e a boca, daí no final usa-se o guardanapo pra limpar as mãos, o Rodrigo me ensinou isto também quando me levou a primeira vez no Trianon.

De volta pra empada,tudo ótimo, tudo perfeito, tudo como sempre, as duas primeiras mordidas só na massa, a temperatura, o molho, lá pela terceira ou quarta mordida o ovo, depois dele apareceu a azeitona, veio um pedacinho dela e ao olhar pro pedaço de empada na minha mão dava pra ver o resto da azeitona lá, segui comendo e terminei a empada com uma decepção mortal sobre mim.

A globalização, a maximização da modernidade, alguma maldita reengenharia ou simplesmente algum idiota substituiu a azeitona da minha empada por uma azeitona sem caroço, sem personalidade, sem alma, sem trancasso nos dentes.

Fiquei tão puto que não perguntei pra balconista se eu que dei azar e peguei uma empada com azeitona sem caroço ou se esta é a regra lá agora.

Não comerei mais empadas na Haiti por um tempo.

Minha próxima incursão será ao balcão do cafezinho, mesmo sem cinzeiro, mesmo com a praga dos expressos, mesmo que a fichinha de plástico tenha sido substituída por uma notinha amarelada do lado escrito e branca no verso.

Sei que quando a gente envelhece é preciso aceitar e conviver com a evolução e a modernidade, mas pelo amor do Buda, pra que mexer no caroço da azeitona das pessoas?

Triste isto.

\o/ SALVEM a @lulacolossal \o/

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06 2009